Corre atrás de um rio. Apanha uma estrela. Cheira uma rosa. Leva-te a andar de balão. Anda descalça na relva. Corre uma praia inteira debaixo de chuva. Dá um mergulho no mar bravo e sustém a respiração até ao máximo. Inspira. Expira. Bebe até caíres para o lado. Levanta-te e volta a erguer o copo. Deita-te sobre pregos. Queima os dedos numa chávena de chá quente. Acende e apaga a luz do teu quarto mil e duas vezes. Liga para aquela pessoa que já não falas há imenso tempo. Manda quem te apetece para o caralho! Diz para ti própria que és linda. Acredita no valor que tens. Compra uma máquina fotográfica analógica. Fotografa o fim do mundo. Finge que estás doente só para não ires às aulas. Faz com que acreditem que te vais embora para sempre. Tenta que "ele" perceba que tu és a tal, que te beije e abrace e te diga "Não vais... Não sei ser sem ti a meu lado".
Foi apenas mais uma história de amor que acabou por se transformar em cinzas. As chamas da paixão apagaram-se e ficou aquilo que restou delas. Cinzas e um vazio horrendo, por não voltar a sentir-te junto a mim. A porta de casa não mais se abrirá de repente, e não mais de repente olharei esse teu rosto, esboçando um sorriso.
As flores do jardim do nosso amor acabaram por murchar e não arranjo forças para as fazer desabrochar de novo. Apenas uma pessoa não é suficiente. Um grande amor é para ser vivido a dois.
Guardámos os segredos do nosso amor perto do lugar que o viu crescer. A cada dia que passou, colocámos um pouco mais deste sentimento dentro da pequena caixa de madeira. Mas rápido, para que nada do que já lá estivesse dentro escapasse com o vento. Guardámos os sorrisos e o primeiro beijo. E os que já demos a seguir a esse.
Por vezes, penso que mais tarde ou mais cedo descobrirão a caixa. Mas sabes, estou tranquila. Para quem a abrir, será apenas mais uma caixa de madeira vazia. O amor não se vê, sente-se. Só nós sentimos verdadeiramente aquilo que os outros sentem como um arrepio na espinha.


